Marques Abreu & Ca

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/CPF/MA
Title type
Atribuído
Date range
1898 Date is uncertain to 1969 Date is uncertain
Dimension and support
Dimensão: c. 12.000 negativos, c. de 8.000 provas, fichas técnicas, correspondência (c. 1.300 cartas), cadernos de apontamentos e recortes de imprensa e maquetes; Suporte: vidro, película e papel
Extents
7 Metros lineares
Biography or history
Os ateliers Marques Abreu & Cª foram fundadas em 1898, por José Antunes Marques Abreu, com apenas 19 anos, em sociedade com o pioneiro da fotografia J. A. Cunha Moraes, na zona de S. Lázaro, no Porto. Posteriormente passa a ser o único proprietário e o diretor das oficinas com colaboração de sua mulher Brites Moraes Coutinho.

Em 1926 passa a ter a colaboração do seu filho José Marques Abreu Júnior, que entretanto frequentava o curso de Construções Civis e Obras Públicas no Instituto Industrial do Porto. Após a morte do pai, o agora arquiteto José Marques Abreu Júnior dá continuidade à obra de seu pai, com o apoio incondicional do funcionário José de Jesus Alves Nunes, conhecido por Sr. Nunes.



José Antunes Marques Abreu nasceu na povoação de Pereira, uma freguesia de Mouronho, no concelho de Tábua, a 14 de fevereiro de 1879 veio a faleceu no Porto, a 3 de julho de 1958. Passou a infância na sua região natal. Frequentou a Escola Primária da Carapinha a oito quilómetros da sua aldeia. Com 12 ou 13 anos, foi entregue aos cuidados do tio Dinis, farmacêutico estabelecido na vila de Tábua, onde trabalhou durante um ano e meio, mudando para a Farmácia Quaresma, na povoação de Coja. Sete meses depois partiu para Lisboa. Aí manteve-se pouco tempo, pois em 1893, com 15 anos, foi para a cidade do Porto.

Com a sua experiência de ajudante de farmácia, conseguiu emprego numa farmácia na Rua de Costa Cabral, e mais tarde noutra na Rua Nova da Alfândega. Simultaneamente, os pais vieram viver para o Porto, junto do filho.

Pouco depois, mudou definitivamente de área de trabalho, iniciando-se como gráfico no atelier "Courrége & Peixoto", de Germano Courrége e entretanto matricula-se no curso de Desenho Elementar da Escola Industrial Faria Guimarães.

Em 1898 fundou, como se disse o seu próprio atelier e começa a publicar a primeira série da "Ilustração Moderna" (1898-1903) e paralelamente, ainda tem tempo para outras colaborações, pois em 1899, integra como operador o atelier de zincogravura da "Fotografia Universal", instalada na rua de Cedofeita, que tinha como diretor artístico Germano Courrége.

Em 1901, passou pelas oficinas de gravura do jornal "O Primeiro de Janeiro", onde com José Augusto da Cunha Moraes, dirigiu as respetivas oficinas de fotogravura. No atelier "Courrége & Peixoto" realizou as zincogravuras das revistas "Sombra e Luz" (1900-1902) e "Theatro Portuguez" (1902).

A partir dessa altura passou apenas a dedicar-se em exclusivo às suas oficinas "Marques de Abreu zincogravura, fotogravura, símile-gravura", na Rua de S. Lázaro, n.º 336.

De 1905 a 1912 publicou uma segunda revista, a coleção de monografias "Arte: Archivos de Obras de Arte", reproduzindo obras de Soares dos Reis, Bordallo Pinheiro, Teixeira Lopes, Sousa Pinto, mas também de Miguel Ângelo, Rubens, Rafael, Velázquez, acabando por se tornar num arquivo de obras artísticas nacionais e estrangeiras. Nesta revista colaboraram Joaquim de Vasconcelos, António Augusto Gonçalves, Marques Gomes, Manuel Monteiro, Monsenhor Augusto Ferreira, entre outros. Edita ainda, em 1907, em colaboração com a sua mulher Brites Moraes Coutinho, a revista quinzenal ilustrada “Instantâneos”.

Em 1909, do seu casamento com Brites Moraes Coutinho, nasce José Marques Abreu Júnior, com quem, anos mais tarde, virá a trabalhar ao serviço da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).

A 4 de Janeiro de 1914 é realizada, no Ateneu Comercial do Porto, a exposição "Arte Romântica em Portugal", resultado dos quinze anos de trabalho e viagens conjuntas com o investigador Joaquim de Vasconcelos, com quem desenvolveu uma grande amizade. O resultado deste trabalho é publicado em 1918, sob o mesmo título "Arte Românica em Portugal". O Ministro Prof. Alfredo de Magalhães, através da Portaria de 5 de Janeiro de 1914, apresenta publicamente testemunhos de louvor pelos “(…) serviços que tem prestado à causa da Instrução Nacional, e pelo seu notável esforço editorial de eruditas monografias sobre arqueologia e história da "Arte Portuguesa"(…).”

A produção editorial de Marques Abreu foi diversificada, sendo de assinalar mais de 28 títulos, de que se podem destacar o "Álbum do Porto", o "Álbum de Portugal" (1914), "Vila do Conde e o seu alfoz: origens e monumentos" (1923) e o álbum "Vida Rústica - Costumes e Paisagens" (1924). Também é de salientar a produção de zincogravuras para outros editores como o caso de Emílio Biel, na obra "O Douro", de Manuel Monteiro.

Entre 1926 e 1932 publica a sua terceira revista, a 2.ª edição da "Ilustração Moderna", agora com a colaboração do seu filho.

Em 17 de Dezembro de 1928, o Governo conferiu-lhe o Grau de Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada, pelo seu trabalho de divulgação dos monumentos nacionais.

Dedicou-se ao ensino técnico na Escola Infante D. Henrique, no Porto, tendo em novembro de 1932, sido nomeado Mestre da Oficina de Gravura Química.

Marques Abreu desde o início da sua atividade dedicou-se à gravura, sobretudo no campo da gravura química, especializando-se na zincogravura. Este processo veio permitir a edição de publicações ilustradas com grandes tiragens, nomeadamente periódicos. Foi um dos pioneiros dessa técnica entre nós e o seu papel não se limitou à produção do seu atelier mas estendeu-se à divulgação das técnicas gráficas nomeadamente através das obras: "O Ensino das Artes Gráficas" (1935), a "Escola Profissional de Tipografia de Bruxelas e o ensino técnico dos gráficos em Portugal" (1938) e "O Ensino das Artes do Livro" (1942).

A partir de 1935 deixa de fotografar mantendo as atividades de investigador e editor.

Em 1955, a Escola Superior de Belas Artes do Porto dedicou-lhe a exposição retrospetiva da sua obra intitulada “Marques de Abreu e a sua obra”. Esta exposição serviu como homenagem pública, tendo-se publicado por essa ocasião um catálogo.

Já após a sua morte, em 1964, realizou-se no Ateneu Comercial do Porto a exposição "Templos Românicos em Portugal", como forma de comemorar os cinquenta anos da exposição "A Arte Romântica em Portugal" e homenagear Marques de Abreu.



José Marques Abreu Júnior nasceu no Porto a 29 de agosto de 1909. Em 1933 terminou o curso de Construções Civis e Obras Públicas no Instituto Industrial do Porto, após estagiar na 2.ª secção norte da Direção de Serviços dos Monumentos Nacionais, da Direção-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. No ano seguinte, também no Instituto Industrial do Porto, terminou o curso de Agente Técnico de Engenharia de Construções Civis. E, entre 1934 e 1946 estudou Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto entre 1934 e 1946.

No mesmo ano em que entra para a faculdade passa a trabalhar da 2.ª secção-Norte da DGEMN, inicialmente como agente técnico de engenharia de 3.ª classe da Direção de Serviços dos Monumentos Nacionais e como agente técnico até 1947, ano em que passou a exercer funções de agente técnico de engenharia de 2.ª classe. Entre 1948 e 1955, desempenhou as funções de arquiteto de 3.ª classe do quadro permanente da DGEMN e de arquiteto de 2.ª classe da mesma direção de serviços até 1969, ano em que morreu.

Foi casado com Maria Palmira Castanheira Garcia, de quem teve duas filhas, tendo em Maria da Conceição uma continuadora da promoção da obra do pai e do avô. Faleceu no Porto a 13 de outubro de 1969.
Geographic name
Porto
Functions, ocupations and activities
Gravador, fotógrafo, investigador e editor
Custodial history
O acervo esteve sempre na posse da família, o qual foi transmitido por herança.
Acquisition information
Adquirida por compra e doação de Maria da Conceição Garcia Marques Abreu e Maria Isabel Garcia Marques Abreu Simões Fernandes, netas e filhas dos autores, em novembro de 2017.
Scope and content
A documentação deste acervo compreende imagens essencialmente de monumentos, nomeadamente os românicos, e localidades relativos aos trabalhos realizados no âmbito da obra gráfica de Marques Abreu e Marques Abreu Júnior.

Tem também fichas técnicas com estudos sobre gravura e revelação fotográfica, correspondência trocada entre Marques e Abreu e diversas personalidades com quem convivia. Há também, dois livros de recortes de imprensa, entre 1907 e 1958, que dão conta do percurso de Marques Abreu. Do acervo constam ainda esboços e maquetes para novas edições, que devido ao falecimento permaturo de Marques Abreu Júnior, que nunca se concretizaram. Foram também adquiridas algumas máquinas e acessórios que foram incorporadas na Coleção de Máquinas e Equipamentos do Núcleo Museologico.
Arrangement
Aguarda tratamento.
Access restrictions
Acessível, mas ainda em fase de tratamento.
Conditions governing use
A reprodução de documentos encontra-se sujeita a algumas restrições tendo em conta o tipo dos documentos, o seu estado de conservação, o fim a que se destina a reprodução, às normas que regulam os direitos de propriedade e à legislação sobre os direitos de autor. A utilização da reprodução para efeitos de publicação está sujeita a autorização do Diretor de Serviços do CPF. O serviço informa, caso a caso, das opções disponíveis.
Language of the material
Português
Other finding aid
Recenseamento em folha de cálculo, disponível no CPF.
Location of originals
Há algumas fotografias, mais de âmbito pessoal, que ficaram na posse da família, bem como as chapas de zincogravura.
Creation date
5/2/2019 10:25:45 AM
Last modification
5/2/2019 2:42:24 PM
Record not reviewed.