Paulo Rocha

Description level
Collection Collection
Reference code
PT/CPF/PR
Title type
Atribuído
Date range
1958 Date is certain to 1958 Date is certain
Dimension and support
Dimensão: 19 doc. fotográficos, 23.3x17.5cm, 17.5x11.5cm e 8,7x11.5cm, Suporte: papel. Polaridade: positivo. Cor: p/b. Processo Fotográfico: gelatina e sal de prata.
Biography or history
Manuel Pinheiro da Rocha nasceu em Britiande, Lamego, a 4 de Setembro de 1893 e faleceu no Porto, a 20 de Novembro de 1973. Filho de Narciso Pinheiro da Rocha, proveniente da 2ª geração de alfaiates em Britiande, e Maria Cândida, natural de Cambres. O casal teve três filhos, Manuel, Genésio e José. Narciso transmitiu aos filhos a arte da alfaiataria.

“Aos 18 anos, Manuel sentiu necessidade de se afirmar longe do pai, e muda-se para o Porto. Trabalhou, durante algum tempo, na alfaiataria Amieiro onde, aos 22 anos, já era contramestre. Ali conheceu a modista Lucinda de Jesus, com quem veio a casar, aos 25 anos. Pouco mais de um ano depois, a peste bubónica levou-lhe a mulher”, tendo este entregue o filho de meses, Fernando, ao cuidados dos pais, em Britiande. Mais tarde, conhece Margarida Silva, com quem casa e com quem dividirá as suas paixões até morrer.

Em 1919 fundou a sua alfaiataria, na Rua de Santa Catarina. Foi Pinheiro da Rocha o promotor do primeiro filme publicitário intitulado "A Pedra", o qual publicitava o seu atelier de alfaiataria - "Pinheiro da Rocha -. O filme foi produzido pela "Lisboa Film", era exibido nos principais cinemas pela agência "Belarte", do seu amigo Alexandre Tavares da Fonseca, o qual teve colaboração de Pinheiro da Rocha na imagem. Este filmes faz parte do fundo doado ao Centro Português de Fotografia.

Em meados de 1936, já com os estudos secundários concluídos, Manuel Pinheiro da Rocha vai a Lamego buscar o filho, agora com 17 anos, para o introduzir no negócio da família.

A Alfaiataria Pinheiro da Rocha situava-se no sobrado do nº 120, onde no rés-do-chão estava a Casa Alvão e Cª. Foi por influência de Domingos Alvão que Manuel Pinheiro da Rocha começou a ganhar gosto pela fotografia. Montou um laboratório fotográfico na sua oficina, onde durante a noite trabalhava na sua nova actividade. Assinou revistas estrangeiras da especialidade e estudou francês, para poder adquirir os conhecimentos científicos e técnicos que essas publicações apresentavam na área da fotografia."Na fotografia, [o meu pai] era primoroso, um génio. Tinha as melhores lentes, pois dizia que a máquina estava o fotógrafo como o pincel para o pintor".

Manuel Pinheiro da Rocha pertenceu ao Grémio Português de Fotografia, a que chegou a presidir e foi um dos sócios fundadores da Associação Fotográfica do Porto, conjuntamente com Fernando Aroso, João da Costa Leite, António Mendes, Platão Mendes, Dr. Pinto Miranda, J. Viana Jorge, Manuel de Oliveira e Jorge Henriques.

Do seu círculo de convivas faziam ainda parte o mestre agostinho Salgado, o escultor Teixeira Lopes e os pintores Joaquim Lopes, Acácio Lino, Jaime Isidoro e António Fernandes. Com este último costumava fazer incursões de trabalho, um pintando e outro fotogrando, nomeadamente a Ribeira do Porto, que ambos adoravam retratar.

Esta paixão pela fotografia levou-o a participar em diversas exposições fotográficas quer nos salões nacionais quer em Paris, Milão, Turim, Madrid, Londres, Bruxelas e nos Estados Unidos da América, ganhando alguns prémios. É refenciando como doador de uma obra no catálogo da "Grande Exposição dos Artistas Portugueses", onde os trabalhos doados foram leiloados para recolha de fundos com vista à construção dos monumentos a Silva Porto, Henrique Pousão e Artur Loureiro. Outros fotógrafos participantes desta exposição foram Domingos alvão e Álvaro Cardoso Azevedo, da Casa Alvão e Cª.

Individualmente, expos em 1953, na Galeria António Carneiro, 65 trabalhos, em 1956, no Clube de Lamego, 75 trabalhos e em 1962, na Sociedade de Belas Artes, em Lisboa, 93 trabalhos. O produto da venda dos trabalhos desta exposição foi a favor da Casa de Repouso dos Alfaiates de Portugal, de quem era sócio número 1.

Colaborou com a Casa Regional Beira Douro, na realização do seu boletim, com fotografias que muitas vezes ilustraram a primeira página e com a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, com imagens de Lamego e de toda a região.

Em 1961, terá acompanhado o conhecido cineasta, do filme "O Leão da Estrela", Arthur Duarte e João Moreira na captação das imagens para o documentário "Barqueiros do Douro", fixando em fotografia quer os barqueiros dos rabelos quer a equipa de filmagem. Participou, também, com três fotografias no livro "Porto Capital do Norte - Origem de Portugal", com direcção artística do Dr. Frederic P.Marjay e edição da Livraria Bertrand, em 1963.

Pinheiro da Rocha foi também colaborador assíduo da revista "Movimento sobre cinema" e desde 1955 colaborador da revista "Vestir", onde assinou diversos artigos.
Geographic name
Britiande, Lamego
Functions, ocupations and activities
Alfaiate e fotógrafo amador
Custodial history
Estas provas estiveram na posse de Carlos Pinheiro da Rocha, sobrinho e afilhado do artista-fotografo Manuel Pinheiro da Rocha, até à sua morte, em 2010. Carlos Pinheiro da Rocha era sindicalista e, em segredo, atento o seu conteúdo, guardou as fotografias durante cerca de 45 anos, que as transmitiu ao filho.
Acquisition information
Documentação doada ao Centro Português de Fotografia em 2010, por Paulo António dos Santos Pinheiro da Rocha (filho de Carlos Pinheiro da Rocha).
Scope and content
As provas apresentam manifestações e discursos de apoio a Humberto Delgado, nomeademente a sua vinda ao Porto, em campanha eleitoral às Eleições Presidenciais de 1958, no dia 14 de maio e a carga policial sobre os apoiantes.
Arrangement
Ordenação numérica sequencial.
Access restrictions
Documentação acessível em cópia digital.
Conditions governing use
Documentação reproduzível.
Other finding aid
Digitarq (base de dados de descrição arquivística).
Record not reviewed.